terça-feira, 27 de outubro de 2009

[in]congruência


Fui procurar em meio à chuva alguma coisa que fizesse sentido, e acabei revisitando o Mark. O Mark é desses que mexe comigo. O Mark sabe da poeira que o tempo nina, mas enxerga o mundo com miopia que varre a poeira dos móveis, atira o pó em dança caótica e diz mil verdades sem fatos. O Mark é como o Kurt, rasga a bandeira branca e empurra o capelo, abrindo bem as mãos - "...os aplausos que aguardem, o objetivo agora é alcançar a serpentina dourada que ilude com gracejo." A estrada segue, eu sei, você sabe (mesmo que não saiba, realmente); é inevitável. Mas um disco na mochila é essencial, só não mais que as páginas em branco. Entende? Não, eu não disse que é fácil. Existe um espaço enorme e miúdo entre letras e ponto. Ponto. Existe um espaço metafísico que ultrapassa o saber; existe algum para o sentir?

Não, não se engane... às vezes palavras são pouco, quase nada. Paradoxo se escreve com x, e nunca foi sua sina fazer parte de uma equação.

domingo, 18 de outubro de 2009

butterfly


Mary Jane e seus cabelos em brasa, um fogo que mesmo apagado reluz vivo, enchendo meu peito de luz. Você, um fogo líquido que aquece o meu peito e queima a garganta, trazendo consigo os sonhos mais doces que alguém é capaz de sonhar. Você, Mary Jane, que permanece comigo na linha do trem, essa linha da vida, e escuta comigo as palavras cantadas que só o silêncio é capaz de sorver. Você, que sempre me fez querer ser melhor do que eu sou, que me fez enxugar suas lágrimas com flanela em xadrez; essas lágrimas que me paralisam, que me enchem de medo, me deixam trêmulo e deixam secos os meus lábios – água e sal que quando escorrem, escorrem em profusão –, você chora e o mundo se despedaça em água oceânica; eu, um barquinho rebelde lutando em vão contra o choque furioso de ondas. Você, Mary Jane, que habita os meus sonhos e fecha os meus olhos, e traz (com suas asas) paz aos meus dias de trevas. Você, que amo tanto. Com meu estranho jeito de amar...

sábado, 17 de outubro de 2009

{tambourine}


Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me

I'm not sleepy and there is no place I'm going to...

Eu entendo você que abre os olhos diante de um céu fosforescente, entendo quando não consegue voar por entre estrelas de plástico. Eu me lembro bem de uma tarde nublada, da umidade que a relva molhada deixou impressa nas roupas que você vestia; um peso invisível afundava o seu corpo, um peso que ninguém mais seria capaz de reconhecer. Você molhou os lábios e sussurrou algo, as palavras se perderam com o peso que havia ao nosso redor. Mas ainda estávamos lá, envoltos pelos afagos de puro mistério, a dor que dedilha as pequenas feridas e beija com doçura os olhos cerrados. Era um peso que nos prendia na relva, um peso que nos deixava ali, deitados. Era o desespero, e a necessidade. De partir.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

E vovô disse:


"Dê a um homem triste uma máquina de escrever e você terá um escritor."